sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O que é mais importante, volume ou carga? Ou seja, é melhor treinar com mais repetições e menos peso ou menos repetições e mais peso para hipertrofia muscular?








O que é mais importante, volume ou carga? Ou seja, é melhor treinar com mais repetições e menos peso ou menos repetições e mais peso para hipertrofia muscular?



Ahá! Esta é uma bela pergunta e a resposta para ela é muito interessante. Aliás, entender mais sobre este aspecto fundamental do treino é algo essencial para que as coisas comecem a fazer sentido e que o quebra-cabeças comece a se fechar gradativamente. Você aprendeu, caso não já soubesse antes, o conceito de 1RM. 1RM é o método padrão mais usado na prática e na ciência para nos referirmos à intensidade de execução dos exercícios. Depois, falamos bastante também do estresse metabólico, aspecto este que tem se mostrado, mais recentemente, ser muito favorável à hipertrofia muscular e que tem recebido uma boa atenção dos pesquisadores, praticantes e estudiosos da área de fitness. Também vimos que o volume dos exercícios é uma variável básica que impacta diretamente na geração de estresse metabólico Bom, aí paramos, respiramos fundo, olhamos os dois lados, intensidade e volume e não dá outra, uma pergunta salta instantaneamente na nossa mente:
“Horas pelotas, qual então eu devo priorizar ou qual é o mais importante para ganho de massa muscular? ”

Vamos com calma...

Se você considerar um fisiculturista, que geralmente treina com um volume mais alto (número maior de repetições) e considerar também um powerlifter, que geralmente treina com mais intensidade (menor número de repetições), vai ver que o fisiculturista iria ter problemas tentando fazer as poucas repetições com a mesma intensidade que o powerlifter faz. Por outro lado, o powerlifter teria problemas de performance tentando fazer o número mais alto de repetições que o fisiculturista (bodybuilder) faz. São dois mundos diferentes, dois objetivos e estratégias diferentes. Um deles prioriza mais volume e o outro prioriza mais intensidade. Para clarearmos o céu aqui um pouco, vamos ver exemplos e comentário sobre os dois métodos opostos.

Método Intensidade

Tipicamente constituído de exercícios com poucas repetições e alta intensidade. O grande objetivo de quem treina priorizando intensidade é ganho de força e evolução, de preferência, a cada dia de treino, não dando grande importância ao volume dos exercícios. Esta evolução a cada sessão pode ser em aumento de peso ou aumento de repetições (contanto que ainda em número baixo). Este método de intensidade data de muito tempo atrás e foi usado por nomes famosos no ramo, como Dante Trudel, Jason Feruggia e Jim Wendler.

Método Volume

Este método é praticamente o oposto do método intensidade acima. Aqui, ao invés de dar tudo de si em uma sessão extremamente intensa, você prioriza treinos menos intensos, porém, mais frequentes e com mais volume, ou seja, mais repetições e séries. Tipicamente, atingir o ponto de falha concêntrica (que já discutimos), não tem prioridade e nem se faz muito necessário. Claro, o treino precisa ainda ser pesado, logo, você pode, eventualmente, atingir falha concêntrica, porém, treinar a 100% não é um pré-requisito. Um exemplo de exercício no método volume seria 4x8 (quatro séries de oito repetições). A ideia é que você faça, a cada série, as 8 repetições sem, necessariamente, atingir ponto de falha concêntrica, porém, sentir que ainda daria para fazer uma ou duas repetições a mais. Tipicamente, as primeiras séries são mais tranquilas e a última é mais difícil de se completar, podendo, frequentemente, atingir o ponto de falha. Existem prós e contras disso.

Como o coach esportivo Kelly Baggett diz:

“Um ponto positivo é que, você não se matando a cada série, a ponto de atingir o ponto de falha, é mais fácil que você execute o exercício com qualidade e de forma correta. Um ponto negativo é que você pode sentir que não está treinando a 100% ou que você se acostume a não treinar pesado. ”

Alguns fatos são:

Exercícios com maior volume e múltiplas séries têm provado serem superiores para objetivo de hipertrofia muscular ao serem comparados com exercícios de uma série só.

Exercícios com maior volume e múltiplas séries têm mostrado, consistentemente, que elevam mais os níveis do hormônio testosterona do que exercícios de baixo volume.

Para o objetivo de hipertrofia muscular, volume (e estresse metabólico construído por este) deve ser priorizado, porém, o treino deve também considerar fases que priorizam intensidade. 

Você quer hipertrofia muscular, mas também quer ganhar força e, ganhar força, ajuda você a levantar mais pesos, submetendo o corpo sempre a novos desafios! Este é o princípio da hipertrofia, certo? Volume e intensidade. Não ignore nem um, nem o outro, porém, é bastante sábio, sim, priorizar volume para potencialização da hipertrofia muscular.

Uma pesquisa relacionada observou que os níveis do hormônio testosterona no sangue não aumenta consideravelmente antes da quarta repetição de um exercício de “agaixamento”, o que é um indício também da superioridade dos métodos de maior volume, sobre os métodos de menor volume, uma vez que, mais repetições incentivam mais a ação deste hormônio, por exemplo. Adicionalmente, uma vasta quantidade de pesquisa mostra que os protocolos (métodos de treino) que prezam por maior volume, elicitam, ou seja, estimulam uma maior ação do hormônio do crescimento (GH) do que os protocoles de menor volume. Entretanto, como veremos mais adiante, a ciência também mostra que as causas de overtraining, ou seja, exaustão, estão muito mais relacionadas com o excesso de volume do que de intensidade.







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